quarta-feira, 15 de junho de 2011

A floresta e as árvores

A Floresta, que cobre cerca de 30% da superfície terrestre, contém uma valiosa fonte de riqueza natural e tem um papel chave na manutenção da biodiversidade e na melhoria da qualidade de vida das populações.
Desempenha um papel extremamente relevante, quer a nível ecológico, económico e social.
As árvores, especialmente quando reunidas em florestas, são os membros de maior porte do reino vegetal. Parecem-nos eternas, porque a maioria das espécies tem uma existência mais longa do que a dos seres humanos. Partimos do princípio errado de que as suas vidas são calmas, mas tal como os animais, as árvores competem energicamente entre si pelas necessidades vitais, espaço, luz e água. Embora a sua competição pela sobrevivência seja dificultada pelas secas, pelo fogo e por pragas variadas, as espécies arbóreas possuem numerosos sistemas de defesa.
As árvores fazem parte do nosso dia-a-dia. Uma árvore é uma planta vivaz lenhosa, ou seja uma planta com um período de vida mais ou menos longo, formado em parte por tecidos lenhosos e cujo crescimento se prolonga incessantemente.
Todos vimos diariamente árvores no caminho da escola ou do trabalho. Quantas vezes procurámos a sua sombra, as suas belas flores ou folhas? Contudo talvez nunca tenhamos pensado nelas como uma parte de nós. As árvores fazem-nos falta, pois para além da beleza que nos transmitem, são responsáveis pela renovação do ar que respirámos, moderam as temperaturas, fixam o solo e impedem a erosão. São benéficas para todo o mundo animal, incluindo o homem.
Mas muitos são aqueles que as derrubam ou as torturam com podas drásticas, que as vai matando lentamente e, quando nos apercebemos elas são cada vez menos.
A madeira das árvores tem uma utilização muito abrangente. É utilizada para o fabrico do papel, móveis, lápis, tecido, etc. O abate constante das árvores para estes fins causa a extinção das espécies. E, à medida que o homem derruba as árvores e vai acabando com as florestas, os animais que ali vivem também vão desaparecendo um a um.
Por isso cabe a cada um de nos PLANTAR UMA ÁRVORE.


Já Dalai lama dizia: “Ao plantar árvores estamos a fazer um gesto importante para o mundo em demonstrar as nossas preocupações globais e, ao mesmo tempo, fazer a nossa própria pequena, mas significativa contribuição à causa”.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Algumas curiosidades sobre as árvores

Lei das árvores de 1565
Sabiam que Portugal tem a Lei mais antiga da Europa no que se refere à protecção das Árvores? Pois é, datada de 1565, e naturalmente desactualizada face à realidade actual, aqui se verifica que há muito que existe preocupação sobre os seres vivos mais emblemáticos do Planeta Terra, pois não nos podemos esquecer que é neste grupo de seres vivos que encontramos os indivíduos mais antigos e maiores do Globo Terrestre.
Eucalyptus diversicolor
Um dos exemplos de árvores emblemáticas existe aqui em Portugal. A árvore mais alta de Portugal e da Europa é um Eucalyptus diversicolor, com cerca de 72 m de altura e pode ser visto na Mata de Vale de Canas em Coimbra. 

Outros exemplos são a árvore com tronco mais velho do Mundo, “Methuselah”, é um Pinus longaeva, cuja idade atinge os 4.840 anos, e pode ser vista nas Montanhas Brancas da Califórnia. A árvore mais velha do Mundo, “Old Tjikko”, é uma Picea abies descoberta na Suécia, e a sua idade foi estimada em cerca de 9.550 anos. De entre as sequóias gigantes da Califórnia podem identificar-se a árvore mais alta do Mundo“Coast redwood”, uma Sequoia sempervirens (Lamb.) Endl., com 120 metros de altura, 13 metros de diâmetro, e com cerca de 1000 anos e a árvore com maior biomassa, “Sierra redwood”, um Sequoiadendron giganteum (Lindley)Bucholtz, com 6000 toneladas de massa, 100 metros de altura, 12 metros de diâmetro e cerca de 3000 anos de vida. Pode ainda destacar-se, pela sua resistência e grande longevidade a Ginkgo biloba, um dos poucos seres vivos que resistiram ao impacto da explosão da bomba atómica lançada sobre a cidade de Hiroshima, em 1945. Quatro árvores desta espécie, apesar de terem ficado queimadas, conseguiram recuperar e actualmente ainda podem ser vistas na cidade.
Pinus longaeva
 Picea abies

Sequoia sempervirens (Lamb.) Endl.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A importância das florestas como sumidouros de carbono

 As emissões de dióxido de carbono (CO2) são uma das principais causas do chamado “efeito de estufa” que acelera as alterações climáticas no planeta. O Homem é o grande responsável pela libertação desse gás para a atmosfera, através de inúmeras fontes de poluição (fábricas, veículos automóveis e motorizados, ...)
A floresta tem a capacidade de reter o CO2 através do processo de fotossíntese, método pelo qual as plantas conseguem reter dióxido de carbono e libertar oxigénio, além de produzirem as suas próprias reservas alimentares.
Pela dimensão e idade que as árvores podem atingir, as florestas são os ecossistemas terrestres com maior capacidade de retenção de CO2 da atmosfera, conseguindo acumular grandes quantidades de carbono e armazená-lo, transformando-o em celulose. Contudo, à medida que as árvores vão amadurecendo, ficando mais velhas, a sua capacidade para absorver CO2 e reter o carbono vai diminuindo.
As florestas têm sido vistas como importantes “sumidouros de carbono”, quando bem geridas, são muito eficientes; já que, através de plantações regulares, as árvores mais jovens absorvem muito mais CO2 que as árvores adultas. Porém, como as árvores mais velhas, ao atingirem a idade de explorabilidade, são abatidas, o carbono nelas contido continua retido nos produtos transformados a partir da sua madeira.
Assim sendo, a madeira é um armazém de carbono muito eficiente, que permite prolongar consideravelmente o período de retenção do CO2, mesmo depois do desaparecimento da árvore. Este armazenamento de carbono nos produtos de madeira tem uma importância fundamental na redução do volume na atmosfera dos gases potenciadores do efeito de estufa. Contudo, esse carbono será novamente devolvido à atmosfera quando a madeira se decompor. Nessa altura, o carbono, armazenado ao longo de vários anos, combina-se com o oxigénio do ar, devolvendo, assim, o CO2 à atmosfera.
Além disso, as florestas também são potenciais fontes de gases com efeito de estufa, sobretudo quando ocorre a decomposição de matéria orgânica morta, quando há exploração florestal, incêndios e desflorestações. Em todas estas situações, as florestas emitem vários tipos de gases para a atmosfera, dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), etc.
Pode assim, dizer-se que as florestas podem ajudar a combater os terríveis problemas associados às alterações climáticas e a restabelecer o equilíbrio, uma vez que têm a capacidade de contribuir quer para reduzir as “fontes” quer para aumentar os “sumidouros” de carbono.
Cabe a cada um de nós ajudar e contribuir para que estas consigam atingir o objectivo, limpando, conservando e protegendo as áreas florestais. É necessária uma gestão mais adequada para prolongar a vida das florestas.

As acácias

Acordo de manhã e ao olhar para a serra, vejo o tom amarelo das flores de acácia a colorir a paisagem, daquela que foi outrora uma floresta imensa de carvalhos. Talvez haja quem considere esta paisagem agradável, colorida, transformada num jardim imenso, muitas vezes, a sua “beleza”, o seu aroma leva-nos a gostar tanto delas, que até há quem as colha para as colocar numa jarra, contudo não nos podemos esquecer que estamos perante espécies vegetais que têm estatuto legal de invasora em Portugal (Decreto-Lei nº 565/99 de 21 de Dezembro), logo devemos tentar minimizar a sua dispersão.
Uma espécie invasora é susceptível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas. As mais comuns na serra da Lousã são a acácia mimosa (Acacia dealbata) e a acácia austrália (Acacia melanoxylon). No passado, foram ambas introduzidas em Portugal com fins ornamentais e cultivadas como espécies florestais e para fins de fixação do solo e que de forma silenciosa, foram invadindo os nossos ecossistemas e diminuindo a diversidade biológica. Em alguns casos, as espécies invasoras promovem o desaparecimento de espécies nativas, podendo levar mesmo à sua extinção, levam a que se formem “florestas” monoespecíficas de espécies invasoras com efeitos na alteração dos regimes de fogo, diminuição da quantidade de água disponível, alteração da composição e disponibilidade de nutrientes no solo.
No caso específico das acácias, é importante ter em consideração o facto de se tratar de espécies com uma elevada capacidade de invadirem áreas florestais sujeitas a incêndios. Isto acontece devido a duas características particulares das espécies: o primeiro tem a ver com o facto de as suas sementes serem resistentes aos incêndios e de fácil dispersão pelo vento, por serem bastante leves, o outro facto é o de se tratar de espécies florestais heliófilas, ou seja, espécies que gostam de sol para se desenvolverem, logo, mais uma vez, áreas ardidas são áreas despedidas, sem árvores a fazerem sombra, logo condição ideal para crescerem depressa, uma vez que têm toda a luminosidade disponível.

a) Folhagem da Acacia dealbata

b) Folhagem de Acacia melanoxylon
c) Vagens contendo sementes de Acacia dealbata
d) Acacia dealbata em flor

Estas e outras alterações podem levar a efeitos profundos, quer na composição da fauna e da flora de uma região, acelerando de forma drástico o declínio da biodiversidade e alterando a estrutura e funcionamento dos ecossistemas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

As árvores

O ano de 2010 foi dedicado à biodiversidade, contudo 2011 não deixa de ter menos importância uma vez que será dedicado às florestas. É o ano Internacional das Florestas. Porque será tão importante falar delas? Preservá-las? De entre inúmeros organismos que lá podemos encontrar, existem alguns que têm sido drasticamente sacrificados pelo homem ao longo dos tempos – as árvores.
As árvores são seres vivos, apesar de não falarem, de não se deslocarem, de não sentirem, são seres vivos como nós. Nascem, crescem, reproduzem-se e um dia também morrerão. Contudo esse dia nem sempre é o mais distante de todos. Pois alguém trata de tornar a sua vida mais curta do que na verdade ela poderia ser. Para quem desconhece… as árvores são os seres vivos mais antigos no planeta terra. Só para terem uma ideia a árvore mais antiga, até agora descoberta, é da espécie Picea abies e foi descoberta na Suécia e a sua idade foi calculada em cerca de 9.550 anos!
Naturalmente, temos de abater árvores para uma imensidão de produtos necessários no nosso dia-a-dia, papel, madeira, etc., mas também deveríamos ter a noção de que elas contribuem para a renovação do oxigénio, através do seu processo fotossintético, onde para além de produzirem de substâncias nutritivas necessárias à sua sobrevivência, transformam o dióxido de carbono em oxigénio.
Além disso, temos de nos lembrar de outra coisa: abater, significa eliminar a árvore na totalidade, aparentemente ela não sofre mais. Mas existem formas de torturar as árvores – as podas. Será que devem ser feitas? Será que a árvore precisa mesmo delas? Na natureza ninguém anda a podar árvores, elas naturalmente vão eliminando os seus ramos, consoante as suas necessidades. Quem é que quer que a árvore produza mais flores, mais frutos, que tenha uma forma diferente, …? O homem; correcto? Por isso a técnica de poda tem de ser vista como uma ferramenta útil ao homem e não à árvore. Sem esquecer que em determinados momentos a árvore também agradece a operação, devido a doenças ou acidentes, contudo deve ser sempre realizada de uma forma moderada.
Infelizmente de Norte a Sul do País vimos muitas vezes que esta operação não cumpre os requisitos referidos anteriormente. E geralmente a árvore é mesmo torturada, sobretudo quando vimos podas radicais em que a copa da árvore tende a desaparecer na totalidade. Desaparecem, ramos, folhas, a forma, … e mais tarde começam a surgir os problemas, feridas, podridões, quedas, etc. Nessa altura, a culpa é de quem? Da árvore! Mas quem é que lhe fez “mal”? O homem!
Acho que está na altura de pensarmos nelas como seres vivos importantes. Decidir muito bem as nossas opções; nunca depois da árvore já instalada, mas talvez, o primeiro ponto tenha mesmo a ver com a escolha de espécies indicadas para uma determinada área, espaço, etc. Nem todas as árvores crescem da mesma forma, nem todos os locais são ideais para elas.
Reflictam sobre isto… prometo que no próximo artigo tentarei dar algumas dicas importantes sobre as podas ideais que vão ao encontro das necessidades humanas sem por em risco o bom estado de sobrevivência das árvores.