quinta-feira, 5 de abril de 2012

Origens da vegetação portuguesa

Calcula-se que atualmente só em Portugal Continental existam cerca de 3995 espécies diferentes, englobando-se neste grupo todas as plantas vasculares autóctones, endémicas e introduzidas.
Regiões Biogeográficas
http://www.eea.europa.eu
 A flora Portuguesa, bem como de toda a Península Ibérica, constitui uma das mais variadas e ricas de toda a Europa, constituindo ainda um importante reservatório de diversidade genética, devido às suas condições geográficas, geológicas e orográficas. Portugal enquadra-se dentro de duas grandes regiões biogeográficas, a Eurosiberiana e a Mediterrânica, sofrendo, contudo, ainda influência das regiões da Macaronésia e Sahara-sindiana. A vegetação portuguesa constitui, assim, uma mistura de espécies atlânticas, europeias e mediterrânicas, variando a sua distribuição de acordo com a região em que se desenvolvem. A divisão destas regiões não é naturalmente bem definida, existindo áreas de influência dos vários tipos de vegetação, havendo algumas espécies que têm o seu habitat preferencial nessas zonas de convergência. A norte podem encontrar-se as espécies mais europeias e mais a sul predominam as espécies de origem mediterrânica.

Mas será que a vegetação Portuguesa foi sempre a mesma? Talvez seja importante recuar um pouco atrás para entender como tudo aconteceu.
Até ao início da Era Miocénica a Península Ibérica apresentava um macroclima do tipo tropical a subtropical e húmido. Com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, e com uma estação fria amena e sem geadas. A vegetação que aí prolifera era do tipo tropical e subtropical, destacando-se pela sua abundância as áreas dominadas por florestas de lenhosas de folhas grandes, largas, persistentes, sem pelos, rijas, lisas e brilhantes denominada por Laurissilva, onde predominavam espécies como do género Laurus L., Myrica L., Persea Mill., etc. Dominavam ainda espécies atualmente restringidas aos trópicos, como por exemplo a Chamaeropsis humilis, atualmente confinada ao Sul da Península Ibérica, assim como outros géneros característicos da flora temperada ou subtropical do hemisfério Norte. Nas áreas costeiras era frequente o surgimento de mangais.
O clima na Península Ibérica durante esse período, era ainda propício à ocorrência de espécies adaptadas à secura, por exemplo Quercus L. de folha persistente e Juniperus L.. Outras espécies, como sejam dos géneros Arbutus L., Cistus L., Olea L., Pinus L., etc. também já começavam a estar representados como vegetação de substituição devido a determinadas perturbações (ex. incêndios).
Depois desta era, mais propriamente a partir do Miocénico médio, e durante as grandes mudanças climáticas do Pleistoceno, a flora e a vegetação da Península Ibérica, foram sofrendo constantes modificações devido à sucessão de convulsões geológicas e macroclimáticas. Os movimentos tectónicos ocorridos durante o Plioceno e o Pleistoceno, levaram às grandes modificações de relevo actualmente representadas em Portugal continental. Outra das modificações surgiu no final do Mioceno, quando ocorreu a dessecação do Mar Mediterrânico que levou à continuidade terrestre entre o Norte de África e a Península Ibérica e à crise de salinidade do Messiano, levando a que as espécies vegetais passassem a ter condições ideias para se desenvolverem e criarem novas e inúmeras variedades adaptadas a condições de secura e a solos ricos em sal.
As glaciações que ocorrem durante o Pleistoceno, e a instabilidade climática, assim como o progressivo arrefecimento, o aumento da diferença entre as temperaturas médias de Verão e Inverno e a crescente sazonalidade da precipitação e da temperatura, levaram à regressão da vegetação e até mesmo à extinção de alguns indivíduos. Calcula-se que 80% do período de Pleistoceno tenha sido frio e seco. A vegetação que até então dominava na Península Ibérica encontrava-se em declínio, e francamente empobrecida, concentrando-se em áreas litorais de baixa latitude e altitude, em locais quentes, vales profundos ou em escarpas expostas ao sol.
As primeiras espécies a desaparecerem foram as mais exigentes no que respeita à temperatura e água, seguindo-se, mais tarde, muitas outras.
Existem atualmente, em Portugal, algumas relíquias desses bosques tropicais e subtropicais, como é o caso do Ilex aquifolium (azevinho), do Taxus baccata (teixo), do Laurus nobilis (loureiro), Prunus lusitanica (azereiro), Buxus sempervirens (buxo), Myrica faya (samouco), Arbutus unedo (medronheiro), Olea europaea var.sylvestris (zambujeiro), Phyllirea media (aderno), Viburnum tinus (folhado), Myrtus communis (murta), Rhododendron ponticum subsp. Baeticum (adelfeiro), etc.
As modificações surgidas durante o Pleistoceno, despoletaram, assim, a formação de um grande número de novas espécies vegetais, sendo portanto, durante esse período, que se diversificaram os géneros característicos da vegetação mediterrânica, como exemplo, Cistus L., Olea L., Pistacia L., Quercus L., Thymus L., Rosmarinus L., etc. Outras espécies, mais adaptadas a climas temperados, foram surgindo e criando sistemas de adaptação às novas condições edafo-ecológicas, ou seja, espécies desprovidas de folhas durante a estação fria, como é o caso de espécies dos géneros Quercus L., Fagus L., Castanea Miller, Acer L., Alnus Miller, Betula L., Populus L., Salix L., Corylus L., Fraxinus L. e Ulmus L.. Destacam-se ainda algumas resinosas dos géneros Abies e Picea. Algumas comunidades de vegetação herbácea, adaptada à secura e ao frio, dominadas por gramíneas, começam também a expandir-se e a apoderar-se dos espaços anteriormente ocupados pela vegetação de cariz tropical e sub-tropical.
Mais tarde, durante no início da época do Holocénico e logo após à última glaciação, o aumento da temperatura e da pluviosidade impulsionaram um alargamento da área de destruição de algumas espécies vegetais em direção às áreas de maior altitude e ao interior da Península. Em Portugal continental, os Juniperus e os Pinus característicos do Pleistoceno, tendem a extinguir-se e a serem substituídos por outras espécies vegetais dos géneros Quercus (carvalhos, sobreiros, azinheiras, etc.), Betula (vidoeiros), Pinus (pinheiros bravo, pinheiros manso e pinheiros silvestre) e, pontualmente, Juniperus (zimbros). Nas zonas montanhosas do Norte e Centro do País deu-se uma subida, em altitude, de algumas espécies, Betula sp. e Pinus sylvestris (pinheiro silvestre). Tendo este último ficado isolado nos afloramentos rochosos de maior altitude, acabando quase por se extinguir, quer pela ação conjunta da escassez do habitat disponível, quer pela ação das comunidades humanas, através do uso do fogo. A Betula sp., por sua vez, sendo uma espécie pioneira, rapidamente ocupou os solos mais espessos libertados pelos gelos.
Além de habitats marginais, o Pinus pinaster (pinheiro bravo) e o Pinus pinea (pinheiro manso) revestiam muitas das áreas litorais e continentais onde actualmente imperam espécies como o Quercus suber (sobreiro), o Quercus ilex (azinheira) e o Quercus coccifera (carrasco), todos de folha persistente.
Nesta época a paisagem vegetal do território continental português era iminentemente florestal, no entanto, as florestas não eram contínuas, existiam extensas comunidades arbustivas e herbáceas, constituídas essencialmente por matos, prados, etc., que se formaram por ação de perturbações naturais como o fogo, o pastoreio, o pisoteio de animais selvagens, o deslizamento de solos, as enxurradas, os ventos, as doenças, etc. Neste período essa vegetação arbustiva (estevas, urzes, tojos, torgas, carqueja, etc.) era escassa e associada essencialmente a escarpas e outros afloramentos rochosos.
A ação do homem, através de várias atividades, como por exemplo as queimadas para gestão da vegetação, o incremento de áreas de pasto, etc., levou a que esta vegetação se alastrasse reduzindo assim drasticamente as áreas florestais. Estas alterações levaram à substituição dos ecossistemas naturais por ecossistemas semi-naturais ou por agroecossistemas. O cultivo de cereais, a domesticação de animais, o abate de árvores para produção de lenha e carvão, etc., no período de transição para o Neolítico, levaram à degradação da vegetação existente.
Por outro lado, os descobrimentos e respectiva expansão tiveram também um grande impacto na devastação e desflorestação das formações vegetais do país, sobretudo no que respeita ao abate de árvores para a construção naval e posteriormente para o fabrico de travessas para os caminhos-de-ferro.
Já no século XX, com o abandono da agricultura inicia-se um período de restauro da floresta, porem as marcas do passado persistem, porque a dinâmica da vegetação, após abandono é fortemente condicionada pelas condições iniciais. Enceta-se assim a rearborização artificial com Pinus pinaster, o que transformou o nosso país num imenso pinhal, contudo mais tarde, devido aos incêndios e às más gestão e ação do homem, parte destas áreas são reconvertidas e transformadas em imensos eucaliptais e acaciais. Os eucaliptos, são plantados indiscriminadamente pelo valor económico que apresentam, já as acácias por serem invasoras bem adaptadas a zonas ardidas invadem rapidamente áreas desprotegidas.
Assim pode afirmar-se que a vegetação portuguesa actual, sofreu com as inúmeras alterações. Tendo havido um incremento da abundância de espécies com adaptações esclerófilas, de folha pequena, plana, perene e rígida, (Quercus ilex e Quercus suber) em detrimento das espécies caducifólias (Quercus pyrenaica e Quercus robur) e marcescentes (Quercus faginea e Quercus canariensis). Nos espaços não agrícolas, abandonados, há uma maior dominância de matos tolerantes ao fogo (Cistus sp., Erica sp., Calluna sp.). Os solos ficaram mais empobrecidos no que respeita à riqueza em nutrientes bem como ao nível das propriedades físicas, nomeadamente na espessura, ou camada arável. Estas alterações nas propriedades dos solos acompanhadas das alterações ao nível dos ciclos hidrológicos levaram ainda a uma dessecação generalizada do território. As plantações artificiais com eucalipto e a invasão das acácias têm acentuado o empobrecimento da biodiversidade.

Bibliografia consultada:
Paiva J (2001) Relíquias vegetais em Portugal. In: A Crise Ambiental, Apocalipse ou Advento de uma Nova Idade II. Liga de Amigos de Conimbriga, Conimbriga, pp. 37-61.
Pinto, B e Aguiar C. (2007): Paleo-história e história antiga das florestas de Portugal continental - até à idade média. In Silva, J.S. [Coord. Ed.]. Floresta e Sociedade - Uma história em comum. pp. 15-53. Vol. VII dea Sande Silva [Coord. Ed.] (2007) Coleção Árvores e Florestas de Portugal. Jornal Público/ Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento/ Liga para a Protecção da Natureza. Lisboa. 9 vols.
May, D. H. (1989). Development and regional differentiation of the European vegetation during the Tertiary. In: Ehrehdorfer, F. Woody plants: evolution and distribution since the Tertiary. Plant Systematics and Evolution 162 (1/4): 79-91.
http://books.google.pt/books?id=Uysj75g4m0MC&pg=PA79&lpg=PA79&dq=paleotropical+geoflora&source=bl&ots=e7okNxkKWS&sig=mk5OqTiUkUmrTr_fa67QBb0NZ1w&hl=pt-PT&ei=tZDiTbLfGtS1hAeNxZTqBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&q=paleotropical%20geoflora&f=false





Vegetação Mediterrânica

O clima de tipo mediterrânico surgiu apenas no final do terciário e no inicio do quaternário, ou seja, durante o Pleistoceno, quando as placas continentais já se encontravam numa posição próxima da atual, ou seja, quando os vários grupos se vegetação já se encontravam individualizados. É classificado como sendo um clima extra-tropical que possui pelo menos dois meses secos durante o Verão, com temperaturas elevadas, radiação solar intensa e favorável a um elevado défice hídrico. A precipitação média anual não é muito elevada e concentra-se nos períodos mais frescos, no Inverno.
O clima mediterrânico ocorre em toda a Bacia do Mediterrâneo, que se estende de oeste para leste a partir de Portugal até à Jordânia e de norte para sul do norte de Itália até Marrocos, inclui países como a Espanha, França, Balcãs, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia e Argélia. Inclui ainda as ilhas das Canárias, Madeira, Selvagens, Açores e Cabo Verde. Ocupando uma extensão de 2,085,292 km2
Existem ainda, quatro outras regiões do Mundo, onde é possível encontrar um clima com características semelhantes, ou seja, que apresente verões quentes e secos e Invernos amenos e chuvosos, a Califórnia nos Estados Unidos da América, a região litoral centro do Chile, a costa sudeste da África do Sul e a costa sul e sudeste da Austrália.
Mapa de distribuição das regiões com clima Mediterrânico
Estas regiões têm em comum, encontrarem-se a médias latitudes, entre os 30º e 45º, na parte ocidental dos continentes. Além destes factores, estas regiões são ainda influenciadas por cinco células subtropicais, de alta pressão dos oceanos, a alta pressão dos Açores, do Atlântico Sul, do Pacífico Norte, do Pacífico Sul e do Oceano Índico.
Consoante os locais de distribuição no globo, estas regiões, com clima mediterrânico, podem ter diferentes designações no que respeita ao tipo de vegetação: Garrigue ou Maquis ao longo de toda a Bacia do Mediterrâneo, Matorral, no Chile e México, Chaparral na Califórnia, Fynbos no sudeste da África do Sul, Mallee na Austrália, etc.
A extensão total destas regiões com clima mediterrânico não é muito grande, representando apenas cerca de 2,2% da superfície terrestre, sendo dos ecossistemas mais ameaçados do globo terrestre, quer pela destruição do habitat, como pela extensa área convertida para a agricultura e pela elevada fragmentação devido à urbanização.
Estas regiões abrigam uma enorme diversidade de habitats e espécies, englobam aproximadamente 20% de todas as espécies vegetais conhecidas, mas apenas 5% da sua área natural é protegida.
Embora, grande parte destas regiões tenha já estado coberta por florestas de carvalhos de folha persistente, florestas de folha caduca e conífera, os cerca de 8000 mil anos de ocupação humana levaram a grandes modificações nestes ecossistemas, tendo alterado de forma irreversível os habitats e a vegetação característica.
Alguns exemplos dessas espécies incluem-se nos géneros Juniperus (zimbro), Myrtus (murta), Olea (oliveira), Phillyrea (aderno), Pistacia (aroeira),e Quercus (carvalho). Há também a presença de outros grupos classificados como relíquias do passado, que dominaram na Bacia Mediterrânica durante alguns milhões de anos, como por exemplo espécies dos géneros Arbutus (medronheiro), Calluna (queiró), Ceratonia (alfarrobeira), Chamaerops (palmeira) e Laurus (loureiro). A utilização do fogo para queima de matos resultou num empobrecimento das áreas dominadas por Quercus coccifera (carrasco), Cistus spp. (esteva) e Sarcopoterium spinosum, já espécies dos géneros Rosmarinus (alecrim), Salvia (salva) e Thymus (tomilho) conseguiram persistir em locais com clima semi-árido, de baixa altitude e em regiões costeiras.

Arbutus sp.          Laurus sp.

Nestas regiões, sujeitas a um clima semelhante, é possível assim, verificar uma convergência em termos de adaptações da vegetação, quer ao nível da forma como ao nível da resposta funcional, apesar de se encontrar uma elevada variedade de géneros e espécies.
Na Bacia do Mediterrâneo predominam espécies dos géneros Arbutus (Ericaceae), Olea (Oleaceae), Ilex (Aquifoliaceae), Cytisus (Fabaceae), Cistus (Cistaceae), Ophrys (Orchidaceae), etc., assim como o Quercus ilex L. (azinheira), Quercus suber L. (sobreiro), Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière, (cedro do Atlas), Cedrus libani A. Rich (cedro do Líbano), Ulex europaeus L. (tojo), Erica arborea (urze branca), Phlomis fruticosa L. (marioila), Phlomis purpurea L. (marioila), Artemisia arborescens (Vaill.) L. (absinto).
Na Bacia do Mediterrâneo predominam espécies dos géneros Arbutus (Ericaceae), Olea (Oleaceae), Ilex (Aquifoliaceae), Cytisus (Fabaceae), Cistus (Cistaceae), Ophrys (Orchidaceae), etc., assim como o Quercus ilex L. (azinheira), Quercus suber L. (sobreiro), Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière, (cedro do Atlas), Cedrus libani A. Rich (cedro do Líbano), Ulex europaeus L. (tojo), Erica arborea (urze branca), Phlomis fruticosa L. (marioila), Phlomis purpurea L. (marioila), Artemisia arborescens (Vaill.) L. (absinto).
Na Califórnia predominam, entre outras, a Rhamnus ilicifolia Kellogg (hollyleaf redberry), Mahonia aquifolium (Pursh) Nutt. (uva-do-Oregon), Rhus ovate S. Watson (sugar bush), Prunus ilicifolia (Nutt. ex Hook. & Arn.) Walp. (evergreen cherry), Quercus agrifolia Née (coast live oak), Adenostoma fasciculatum Hook. & Arn. (Chamise), Arbutus menziesii Pursh (madrone), Lotus scoparius (Nutt.) Ottley (deerweed), Quercus berberidifolia Liebm. (scrub oak), Salvia melifera Greene (Black sage), assim como espécies dos generous Ceanothus (Rhamnaceae), Layia (Asteraceae), Eschscholzia (Papaveraceae), Epilobium (Onagraceae), Clarkia (Onagraceae).
No Chile, dominam espécies como o Berberis ilicifolia (Forst.) (Berberis), Lithraea caustica Hook. & Arn. (Litre), Colletia armata Miers, Ephedra andina Poepp. ex C. A. Mey. (pingo pingo), Jubaea chilensis (Molina) Baill. (palmeira do Chile), Satureja gilliesii (Graham) Briq. (árvore de hortelã), Cryptocarya alba (Molina) Looser (peumo do Chile).
Na Austrália imperam a Banksia ilicifolia R. Br. (Holly-leaved Banksia), Graptophyllum ilicifolium F. Muell. (Mount Blackwood Holly), Alchornea ilicifolia (J. Sm.) Muell. Arq. (Native Holly), bem como um elevado número de endemismos: Astroloma sp., Petrophile linearis R. Br. (pixie mops), Correa sp., Melaleuca alternifolia (Maiden & Betche) Cheel (árvore-do-chá), Callistemon citrinus (Curtis) Skeels (escova-de-garrafa de limão), Eucalyptus wandoo Blakely (eucalipto de goma branca).
No que respeita à África do Sul, podem encontrar-se espécies do Género Protea (Proteaceae), Askidiosperma (Restionaceae), Lapeirousia (Iridaceae), Moraea (Iridaceae), Geissorhiza (Iridaceae), Pelargonium (Geraniaceae), Erica versicolor Andrews (urze), Erica cerinthoides L. (fire erica), Elegia cuspidata Mast.,Serruria florida (Thunb.) Knight (noiva vergonhosa).
Bibliografia consultada:

· Duggen, S., Hoernle, K., van den Bogaard, P., Rüpke, L. & Morga, J. P. (2003). Deep roots of the Messinian salinity crisis. Nature 422, 602-606 | doi:10.1038/nature01553
· http://www.nature.com/nature/journal/v422/n6932/fig_tab/nature01553_F1.html#figure-title
· Hogan, C. M. (2008). Biological diversity in Mediterranean Basin.
· http://www.eoearth.org/article/Biological_diversity_in_the_Mediterranean_Basin#gen8
· May, D. H. (1989). Development and regional differentiation of the European vegetation during the Tertiary. In: Ehrehdorfer, F. Woody plants: evolution and distribution since the Terciary. Plant Systematics and Evolution 162 (1/4): 79-91.
· http://books.google.pt/books?id=Uysj75g4m0MC&pg=PA79&lpg=PA79&dq=paleotropical+geoflora&source=bl&ots=e7okNxkKWS&sig=mk5OqTiUkUmrTr_fa67QBb0NZ1w&hl=pt-PT&ei=tZDiTbLfGtS1hAeNxZTqBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&q=paleotropical%20geoflora&f=false

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A evolução …

A vida na Terra surgiu à aproximadamente 3 000 milhões de anos, sendo que a espécie humana (Homo sapiens sapiens) surgiu apenas há cerca de 2 mil anos. Significa isto que muito antes de o Homem ter colonizado a Terra, muitas outras espécies surgiram.
É verdade, as plantas surgiram muito antes. Registos fósseis sugerem que as algas surgiram há cerca de 1200 milhões de anos. Nessa altura as primeiras plantas viviam dependentes da água, contudo com o passar dos anos, foram evoluindo e conseguiram adaptar-se a condições mais terrenas, surgindo os pequenos musgos, ainda pouco evoluídos, uma vez que não possuíam tecidos vasculares e o seu corpo apresentava pouca diferenciação, mas que já não dependiam totalmente da água para viver. Mais tarde, surgiram as primeiras plantas vasculares, sem semente, que tal como os musgos, se reproduzem por esporos – os fetos. Mas a evolução não se ficou por aqui, surgindo mais tardes as plantas com semente – as gimnospérmicas, vulgarmente conhecidas por resinosas, uma vez que produzem pinhas. Mas faltava ainda a flor.
Há aproximadamente 160 milhões de anos surgiram as primeiras plantas com flor – as angiospérmicas, grupo mais evoluído e mais numeroso. Neste grupo encontram-se desde plantas minúsculas, até a árvores enormes.
Apenas 12 plantas servem ¾ da alimentação mundial, o pão de milho, por exemplo, alimentam 1/3 da Humanidade. Contudo, devido à exploração destas plantas, muitas outras espécies, como a aveia, a beterraba, a macieira, o trevo-branco, etc. estão ameaçadas pelas alterações na utilização da terra, perda e fragmentação de habitats.
Cada vez mais é necessário procurar um equilíbrio entre conservar as plantas silvestres e cultivar plantas cultivadas. 

Porque cortam a ponta às árvores se o céu é infinito?

Há muito o hábito de cortar a ponta às árvores, ainda muito jovens, com receio de que estas cresçam em demasia, contudo, não consigo entender esta teoria uma vez que o céu é infinito.
A formação do caule e a elevação da copa condicionam o desenvolvimento futuro da árvore. Cortar a ponta da árvore é o mesmo que está a inibir o crescimento em altura, mas em simultâneo estimular o engrossamento dos ramos e crescimento lateral.
A importância de uma boa flecha, ou seja, parte terminal do caule composto por um gomo terminal grosso e bem formado, além de garantir um sinal de vigor, permite que este se desenvolva direito e forte. A manutenção da flecha permite ainda definir mais tarde qual a altura a que se pretende a copa da árvore.
A árvore deve ter uma boa relação entre a altura e o diâmetro do caule. Em regra, esta relação deve ser de 1 para 100, ou seja, por cada centímetro de diâmetro deve haver 100 centímetros de altura, assim não se devem suprimir os ramos laterais para favorecer o crescimento em altura, nem eliminar a ponta em favorecimento do crescimento lateral.
A eliminação progressiva e regular dos ramos mais baixos permite elevar a copa da árvore à altura desejada. Geralmente não se devem retirar mais que 1/3 das ramificações inferiores, para assegurar o crescimento em diâmetro e volume, sendo os restantes 2/3 submetidos a poda de formação e/ou manutenção.  
Uma árvore pretende-se o mais natural possível.  

Os relvados em Jardins

Chegada a Primavera todos gostamos de ver os jardins e espaços verdes cheios de cor e esteticamente agradáveis. Em muitas situações os relvados são os pontos centrais desses espaços e para se tornarem agradáveis e harmoniosos necessitam de muitos cuidados, contudo por vezes esquecemos que deve haver alguma preocupação sustentável para que não haja excessos.
O primeiro passo a dar, antes de semear ou plantar a relva no jardim, é o de planear a sua instalação tendo em conta os condicionalismos do terreno, a localização dos arbustos e dos canteiros e procurando conciliar as questões de estética com as de ordem prática.
A beleza e a duração de um relvado estão ligados a muitos factores; destacando-se a época de instalação e o tipo de intervenção a realizar.
As épocas para semear ou plantar um relvado vão ao encontro com as características de cada região, sempre antes e depois do Verão, necessitando de muita água para que se dê o enraizamento rapidamente, embora acha exceções.
Os métodos podem ser através de sementeira ou de plantação e neste último caso podem resumir-se em dois tipos de intervenções: a multiplicação vegetativa e a colocação de placas ou de rolos de relva.
Por melhor que se tenha preparado a terra e por mais atenção que se tenha dado à escolha ou à mistura das espécies, dificilmente um relvado poderá manter-se compacto e uniforme sem cuidados constantes. São muito importantes as regas, o corte periódico e o controlo das ervas daninhas; também não se deve esquecer a adubação, a prevenção e o cuidado a ter com as doenças.
Um dos cuidados mais assíduos é o da rega periódica, da qual depende o vigor do relvado, mas também a proliferação das ervas daninhas.
Para manter o relvado verde, durante os meses mais secos, é fundamental regar abundantemente, preferencialmente de manhã cedo ou já ao anoitecer. É preferível regar várias vezes ao dia em quantidades reduzidas do que durante muito tempo em grandes quantidades, pois ai a perda de água é significativa. A relva é composta por pequenas plântulas, com sistema radicular reduzido, que não conseguem absorver grandes quantidades de água por muito tempo, assim sendo, é preferível fornecer água em momentos diferentes ao longo do dia do que encharcar, pois parte dessa água é desperdiçada. Na verdade, deveria fornecer-se a quantidade de água equivalente a 2-3 cm de chuva.
A regularidade do corte também é de importância fundamental, varia conforme a função do relvado e as espécies que o integram. A maior parte dos relvados requerem pelo menos 20 cortes por ano, entre finais do Inverno e princípios do Outono. A altura ideal para o corte é de 2-3 cm, mas pode chegar aos 4 cm nos relvados rústicos. O corte muito curto, quase rente à terra, debilita a camada de relva a longo prazo. Durante os períodos de seca, além disso, deve-se deixar a relva um pouco mais comprida, espaçando-se o corte. Para evitar a formação de sulcos, convém aparar em duas passagens cruzadas no ângulo recto. O intervalo entre os cortes é tanto maior quanto maior for a sua utilização para recreio. Se quiser relvados densos e de grande longevidade corte, no mínimo, uma vez por mês.
No que respeita à adubação, basta adubar uma vez por ano, na Primavera. A adubação de cobertura deve ser feita com a relva seca e terra húmida.

Plantação de árvores


Como já referi noutros momentos, as árvores têm uma elevada importância e nunca deverão ser esquecidas. Assim sendo sugiro que plantem árvores no jardim ou participem em atividades locais de florestamento.
Antes de iniciar a plantação, é fundamental escolher a espécie adequada aos fins a que se destina. Por exemplo, se pretende plantar uma árvore num jardim que só tem espaço para um arbusto ou uma pequena árvore, para quê plantar um abeto ou um plátano?! Daqui a uns anos terá de ser cortado ou massacrado com podas sobre os ramos que “entram pela janela do vizinho”...
De igual forma, deve verificar se o solo é adequado às exigências específicas da espécie pretendida. Não vale a pena plantar uma árvore que necessita de solos húmidos e básicos, se o solo é seco e ácido. Sempre que possível, as árvores devem ser provenientes da região onde vão ser plantadas, pois já estão aclimatadas, o que facilita a sua instalação.
Dê preferência a árvores cuja raiz esteja bem desenvolvida, direita e envolvida num torrão, uma vez que isso atenua muito o efeito de choque da transplantação. No caso de optar por uma árvore que apresente raiz nua, verifique se há abundância de raízes jovens e superficiais, uma vez que estas serão responsáveis pela absorção de água e nutrientes do solo.
A parte aérea também deve ser inspeccionada. O tronco deve ser ligeiramente cónico, sem feridas, ter flecha (responsável pelo crescimento em altura), copa equilibrada, sem ramos cruzados, feridos ou doentes.
Escolhida a árvore a plantar segue-se então a operação de plantação.
  1. Abrir a cova. A dimensão da cova dependerá do volume das raízes ou dos torrões. Para permitir uma perfeita instalação das raízes, o volume da cova deverá ser de, pelo menos, uma vez e meia o ocupado pelo sistema radicular. 
  2. Preparar a árvore, mantendo o torrão que envolve as raízes; Nas plantas de raiz nua as raízes devem ser desembaraçadas umas das outras, para evitar possíveis estrangulamentos.
  3. Efetuar a poda de transplantação, eliminando ramos quebrados, partidos, secos e mal inseridos; esta ligeira poda, também se aconselha visando o reequilíbrio entre o sistema radicular e a parte aérea da planta, uma vez que é inevitável que o sistema radicular perca um pouco do seu potencial com a transplantação, contudo deve respeitar a forma da árvore, sobretudo a flecha, e os ramos baixos, que protegem o tronco das radiações solares.
  4. Preparar o fundo da cova com a terra que dela saiu, depois de retiradas pedras e raízes. Esta pode ser misturada com um pouco de matéria orgânica, mas atenção, a estrumação em excesso pode ser negativa para as raízes, pois pode potenciar o ataque de fungos.
  5. Colocar a árvore na cova, em posição vertical, com o cuidado de verificar se as raízes estão bem distribuídas e que o colo (zona de transição entre o tronco e as raízes) está ao nível do terreno.
  6. Preencher a cova até ao nível do colo da planta, tendo o cuidado de aconchegar a terra às raízes, sem calcar excessivamente e não permitir a formação de bolsas de ar.
  7. Para verificar se a planta se encontra bem enterrada deve dar-se um pequeno esticão.
  8. Colocar um tutor paralelo à árvore. A tutoragem proporciona estabilidade até as raízes assegurarem a ancoragem suficiente, sobretudo em zonas ventosas.
  9.  Regar abundantemente, imediatamente após a plantação, de forma a promover a união entre o solo e as raízes. Esta operação é importante, devendo realizar-se mesmo que esteja a chover. Pode fazer uma caldeira à volta da planta para facilitar a concentração da água junto ao pé.
Preparação da cova
    Cova aberta

Árvores esquecidas - o caso da Vila da Lousã

Quando estamos doentes geralmente vamos ao médico, e este, de acordo com o diagnóstico que faz, verifica qual será o melhor tratamento para que recuperemos rapidamente. O mesmo acontece com aqueles que têm animais de estimação, que os levam ao veterinário, sempre que se apercebem de algum sinal de debilidade. O que é certo, é que no caso das plantas, sobretudo das árvores, nem sempre isso se verifica, geralmente vão definhando de pé, até à morte. Só são cortadas quando, infelizmente ocorreu algum incidente com um transeunte.
Há uns tempos atrás, numa das minhas caminhadas pela Vila, verifiquei a existência de alguns plátanos bastante debilitados, manifestando sinais de doença, provavelmente devido às constantes podas drásticas que vão sofrendo. Agora passados alguns meses verifico que nada foi feito, e que essas mesmas árvores continuam no mesmo local, mais definhadas, e com as árvores vizinhas a começarem a apresentar os mesmos sinais, ou seja, a doença está a propagar-se. Será que é necessário que ocorra algum acidente para alguém se lembrar de as cortar? E já agora “responsabiliza-las” pelos acontecimentos? Pois é, mais uma vez se verifica que alguém se esqueceu de que estamos perante Seres Vivos, que merecem os mesmos cuidados, tratamentos, que qualquer um de nós. É lamentável ver que não se dá o mesmo valor às plantas/árvores, apenas porque não falam, não gritam, não manifestam o seu descontentamento.
 Entretanto mais um ano se passou e voltaram o podar-se as mesmas árvores doentes. Quem sabe, com os mesmos equipamentos de poda, se podaram todas as outras... Enfim, ter-se-à propagado a doenças? Aguardemos!!!