O clima de tipo mediterrânico surgiu apenas no final do terciário e no inicio do quaternário, ou seja, durante o Pleistoceno, quando as placas continentais já se encontravam numa posição próxima da atual, ou seja, quando os vários grupos se vegetação já se encontravam individualizados. É classificado como sendo um clima extra-tropical que possui pelo menos dois meses secos durante o Verão, com temperaturas elevadas, radiação solar intensa e favorável a um elevado défice hídrico. A precipitação média anual não é muito elevada e concentra-se nos períodos mais frescos, no Inverno.
O clima mediterrânico ocorre em toda a Bacia do Mediterrâneo, que se estende de oeste para leste a partir de Portugal até à Jordânia e de norte para sul do norte de Itália até Marrocos, inclui países como a Espanha, França, Balcãs, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia e Argélia. Inclui ainda as ilhas das Canárias, Madeira, Selvagens, Açores e Cabo Verde. Ocupando uma extensão de 2,085,292 km2.
Existem ainda, quatro outras regiões do Mundo, onde é possível encontrar um clima com características semelhantes, ou seja, que apresente verões quentes e secos e Invernos amenos e chuvosos, a Califórnia nos Estados Unidos da América, a região litoral centro do Chile, a costa sudeste da África do Sul e a costa sul e sudeste da Austrália.
Estas regiões têm em comum, encontrarem-se a médias latitudes, entre os 30º e 45º, na parte ocidental dos continentes. Além destes factores, estas regiões são ainda influenciadas por cinco células subtropicais, de alta pressão dos oceanos, a alta pressão dos Açores, do Atlântico Sul, do Pacífico Norte, do Pacífico Sul e do Oceano Índico.
Consoante os locais de distribuição no globo, estas regiões, com clima mediterrânico, podem ter diferentes designações no que respeita ao tipo de vegetação: Garrigue ou Maquis ao longo de toda a Bacia do Mediterrâneo, Matorral, no Chile e México, Chaparral na Califórnia, Fynbos no sudeste da África do Sul, Mallee na Austrália, etc.
A extensão total destas regiões com clima mediterrânico não é muito grande, representando apenas cerca de 2,2% da superfície terrestre, sendo dos ecossistemas mais ameaçados do globo terrestre, quer pela destruição do habitat, como pela extensa área convertida para a agricultura e pela elevada fragmentação devido à urbanização.
Estas regiões abrigam uma enorme diversidade de habitats e espécies, englobam aproximadamente 20% de todas as espécies vegetais conhecidas, mas apenas 5% da sua área natural é protegida.
Embora, grande parte destas regiões tenha já estado coberta por florestas de carvalhos de folha persistente, florestas de folha caduca e conífera, os cerca de 8000 mil anos de ocupação humana levaram a grandes modificações nestes ecossistemas, tendo alterado de forma irreversível os habitats e a vegetação característica.
Alguns exemplos dessas espécies incluem-se nos géneros Juniperus (zimbro), Myrtus (murta), Olea (oliveira), Phillyrea (aderno), Pistacia (aroeira),e Quercus (carvalho). Há também a presença de outros grupos classificados como relíquias do passado, que dominaram na Bacia Mediterrânica durante alguns milhões de anos, como por exemplo espécies dos géneros Arbutus (medronheiro), Calluna (queiró), Ceratonia (alfarrobeira), Chamaerops (palmeira) e Laurus (loureiro). A utilização do fogo para queima de matos resultou num empobrecimento das áreas dominadas por Quercus coccifera (carrasco), Cistus spp. (esteva) e Sarcopoterium spinosum, já espécies dos géneros Rosmarinus (alecrim), Salvia (salva) e Thymus (tomilho) conseguiram persistir em locais com clima semi-árido, de baixa altitude e em regiões costeiras.
Nestas regiões, sujeitas a um clima semelhante, é possível assim, verificar uma convergência em termos de adaptações da vegetação, quer ao nível da forma como ao nível da resposta funcional, apesar de se encontrar uma elevada variedade de géneros e espécies.
Na Bacia do Mediterrâneo predominam espécies dos géneros Arbutus (Ericaceae), Olea (Oleaceae), Ilex (Aquifoliaceae), Cytisus (Fabaceae), Cistus (Cistaceae), Ophrys (Orchidaceae), etc., assim como o Quercus ilex L. (azinheira), Quercus suber L. (sobreiro), Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière, (cedro do Atlas), Cedrus libani A. Rich (cedro do Líbano), Ulex europaeus L. (tojo), Erica arborea (urze branca), Phlomis fruticosa L. (marioila), Phlomis purpurea L. (marioila), Artemisia arborescens (Vaill.) L. (absinto).
Na Bacia do Mediterrâneo predominam espécies dos géneros Arbutus (Ericaceae), Olea (Oleaceae), Ilex (Aquifoliaceae), Cytisus (Fabaceae), Cistus (Cistaceae), Ophrys (Orchidaceae), etc., assim como o Quercus ilex L. (azinheira), Quercus suber L. (sobreiro), Cedrus atlantica (Manetti ex Endl.) Carrière, (cedro do Atlas), Cedrus libani A. Rich (cedro do Líbano), Ulex europaeus L. (tojo), Erica arborea (urze branca), Phlomis fruticosa L. (marioila), Phlomis purpurea L. (marioila), Artemisia arborescens (Vaill.) L. (absinto).
Na Califórnia predominam, entre outras, a Rhamnus ilicifolia Kellogg (hollyleaf redberry), Mahonia aquifolium (Pursh) Nutt. (uva-do-Oregon), Rhus ovate S. Watson (sugar bush), Prunus ilicifolia (Nutt. ex Hook. & Arn.) Walp. (evergreen cherry), Quercus agrifolia Née (coast live oak), Adenostoma fasciculatum Hook. & Arn. (Chamise), Arbutus menziesii Pursh (madrone), Lotus scoparius (Nutt.) Ottley (deerweed), Quercus berberidifolia Liebm. (scrub oak), Salvia melifera Greene (Black sage), assim como espécies dos generous Ceanothus (Rhamnaceae), Layia (Asteraceae), Eschscholzia (Papaveraceae), Epilobium (Onagraceae), Clarkia (Onagraceae).
No Chile, dominam espécies como o Berberis ilicifolia (Forst.) (Berberis), Lithraea caustica Hook. & Arn. (Litre), Colletia armata Miers, Ephedra andina Poepp. ex C. A. Mey. (pingo pingo), Jubaea chilensis (Molina) Baill. (palmeira do Chile), Satureja gilliesii (Graham) Briq. (árvore de hortelã), Cryptocarya alba (Molina) Looser (peumo do Chile).
Na Austrália imperam a Banksia ilicifolia R. Br. (Holly-leaved Banksia), Graptophyllum ilicifolium F. Muell. (Mount Blackwood Holly), Alchornea ilicifolia (J. Sm.) Muell. Arq. (Native Holly), bem como um elevado número de endemismos: Astroloma sp., Petrophile linearis R. Br. (pixie mops), Correa sp., Melaleuca alternifolia (Maiden & Betche) Cheel (árvore-do-chá), Callistemon citrinus (Curtis) Skeels (escova-de-garrafa de limão), Eucalyptus wandoo Blakely (eucalipto de goma branca).
No que respeita à África do Sul, podem encontrar-se espécies do Género Protea (Proteaceae), Askidiosperma (Restionaceae), Lapeirousia (Iridaceae), Moraea (Iridaceae), Geissorhiza (Iridaceae), Pelargonium (Geraniaceae), Erica versicolor Andrews (urze), Erica cerinthoides L. (fire erica), Elegia cuspidata Mast.,Serruria florida (Thunb.) Knight (noiva vergonhosa).
Bibliografia consultada:
· Duggen, S., Hoernle, K., van den Bogaard, P., Rüpke, L. & Morga, J. P. (2003). Deep roots of the Messinian salinity crisis. Nature 422, 602-606 | doi:10.1038/nature01553
· http://www.nature.com/nature/journal/v422/n6932/fig_tab/nature01553_F1.html#figure-title
· Hogan, C. M. (2008). Biological diversity in Mediterranean Basin.
· http://www.eoearth.org/article/Biological_diversity_in_the_Mediterranean_Basin#gen8
· May, D. H. (1989). Development and regional differentiation of the European vegetation during the Tertiary. In: Ehrehdorfer, F. Woody plants: evolution and distribution since the Terciary. Plant Systematics and Evolution 162 (1/4): 79-91.
· http://books.google.pt/books?id=Uysj75g4m0MC&pg=PA79&lpg=PA79&dq=paleotropical+geoflora&source=bl&ots=e7okNxkKWS&sig=mk5OqTiUkUmrTr_fa67QBb0NZ1w&hl=pt-PT&ei=tZDiTbLfGtS1hAeNxZTqBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&q=paleotropical%20geoflora&f=false
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